Hoje por alguns momentos falei sozinha em ingles, depois que vi um video sobre o que os milenials pensam e da forma que foram criados. Isso me fez reletir sobre a minha infância, adolescência e vida adulta. Realmente eu vim de uma geração onde os pais tentaram fazer diferente de como os pais deles fizeram ao cria-lós. Isso me ajudou a perceber muitas coisas sobre mim mesma, e tive a realização que preciso falar mais comigo mesma sobre eu mesma, pois foi muito transformador e agradável analisar as coisas que passei e minhas reacões, e como isso formou a pessoa que sou hoje. Então decidi escrever aqui, as coisas que percebi. Isso é bastante terapeutico(escrever meus pensamentos), e quem sabe pode ajudar meus filhos e netos no futuro a me conheceram melhor, e a conhecerem mais eles mesmos.
Depois volto para continuar meus pensamentos.
Voltando aqui para registrar uma das realizações 2 anos depois. Hoje é dia 17 de outubro de 2022.
Uma das realizações que me lembro, é da criação que tive na minha infância e adolescência, pela minha mãe. Mas preciso falar sobre minha mãe antes, para entender a realização que tive sobre mim. Vale dizer que minha mãe tem vários problemas, não sei descrever muito bem, mas deve ser algo haver com trantorno de personalidade..Bom devido aos muitos traumas de infância e experiências traumáticas ao longo da vida dela, ela adquiriu alguns hábitos ruins. Um desses hábitos é de mentir. Parece que ela mente que nem percebe às vezes. E inventa ou aumenta umas histórias bem mirabolantes.
Como isso me afetou
Ela costumava mentir, quando eu era criança e pedir minha confirmação. Eu sentia que era errado, mas minha mãe me olhava bem nos olhos, e eu acabava concordando com a minha mãe, ou seja, mentindo também. A mentira fazia parte da minha vida, e eu passei a mentir também. Mas me sentia mal pelas mentiras que eu contava. No geral eram coisas que eu sentia vergonha de aceitar, por exemplo, eu estava muita atrasada na escola devido às mudanças de casa e cidades. Então eu dizia que estava na 7° série, mas na verdade eu estava na 4°, etc. Ainda quando criança, me lembro de tentar não confirmar as mentiras da minha mãe. Eu não entendi muito bem o porquê, por alguma razão isso fazia me sentir bem, mas ainda não era o suficiente para eu mudar. Eu precisava de um motivo certo.
Depois de mais crescida, aos 14 anos, eu estava aprendendo o evangelho no Livro de Mórmon e praticando com o Progresso Pessoal. Então senti vergonha da mentira. Eu estava aprendendo a me enxergar, reconhecer como era, e ver o que podia melhorar. Tomei uma decisão pessoal de ser honesta comigo mesma, meus pensamentos, com Deus e com as pessoas ao meu redor. Então veio o teste, minha mãe mentindo mais uma vez sobre alguma coisa para algumas pessoas, e pedindo minha confirmação. Foi desafiador enfrentar minha mãe, mas foi libertador ser honesta. Tornei isso uma hábito, e minha mãe já percebia que não tinha mais controle sobre mim.
Como isso me afeta hoje em dia - realização
A realização que tenho tido nos últimos anos, é de que parte do que sou hoje, é reflexo do que já vivi. Por exemplo, eu sou extremamente desconfiada. E não confidencio isso com orgulho. Isso interfere muito meu relacionamento com meu esposo, e filhos. Eu tenho essa dificuldade para tudo. E a realização que tive é de que adquiri isso na minha infância. Quando eu via minha mãe mentindo para outras pessoas, eu aprendi que as pessoas mentem e enganam. Como posso acreditar nas pessoas, se sei que elas podem mentir? O ser humano que eu mais confiava, que eu tinha maior contato, amor e que conhecia as minhas fraquezas, minha mãe, mentia na minha frente e pra mim. De alguma maneira eu decidi no fundo da minha mente, não ser mais vulnerável assim e confiar em pessoas, nem nos mais próximos. Isso afetou meus relacionamentos pois não parecia existir relacionamentos de confiança no meu mundo.
Sabendo disso agora, o que posso fazer? O que tenho tentado fazer, é dizer para mim mesma não pensar no cenário ruim. Não achar que as pessoas estão tentando me enganar o tempo todo. E minha melhor e maior motivação para mudar minha mentalidade, é o meu esposo e meus filhos. Eu quero um relacionamento forte com eles, para merecê-los por toda a eternidade. Mas confesso que não é fácil. Preciso repetir para mim mesma, dezenas de vezes, que meu esposo e filhos tem as melhores das intenções, que são bons, que desejam o bem para mim, que não estão me enganando. E lembro dos conflitos que poderão ser evitados, se eu dar um voto de confiança para eles. Devo destacar que viver assim tem sido bem mais leve. Ainda não é um hábito. Às vezes eu falho, reconheço, me arrependo e peço desculpas, e começamos de novo.
Sou muito grata por estar aprendendo mais sobre mim, numa idade que ainda dá tempo de corrigir os erros, mudar, e melhorar meus relacionamentos com minha família. Não guardo rancor da minha mãe, felizmente. Mas sei que não é o mesmo para minhas irmãs. Espero poder continuar aprendendo mais sobre mim, entendo mais porque ajo da maneira que ajo, e corrigir o que puder corrigir.
Outra realização - Conhecemos a nós mesmos, quando aprendemos sobre nossos antepassados
Minha mãe viveu num lar muito desestruturado. Ela sofreu abusos de trabalho infantil, não recebeu a devida atenção e cuidados na fase importante de infância, teve maus exemplos do pai, mãe e madrasta, e uma educação bem rígida, típica dos anos 60 e 70. Ao invés de uma educação positiva, havia imposição, ameaça, e castigo físico. Então num cenário desse, minha mãe acabou buscando atenção fora de casa, casou e teve filhos jovens, e a história é longa.
Como isso me afetou
Quando minha mãe teve os próprios filhos, hoje vejo que ela tentou dar uma educação diferente da que ela recebeu. Mesmo assim, houve alguns momentos que ela usou a educação rígida do pai. Mas no geral percebo hoje que minha mãe se esforçou muito para dar amor e carinho, e elogiar, algo que ela talvez não recebia frequentemente. Mas é importante ressaltar que ela tinha dificuldades para elogiar. Algumas vezes ela destaca muito meus defeitos, inclusive físicos, e outras vezes elogiava bastante a minha inteligência.
Esse cenário é importante também relatar, pois prepara para outros aspectos da minha educação. Parece ser contraditório, pois ao mesmo tempo que recebia elogios a respeito da minha inteligência, minha mãe não aceitava que seus filhos discordassem dela. O ambiente do nosso lar era sempre ouvir e seguir o que minha mãe ditava, seguir a forma de pensar dela. Não existia espaço para discordar, opiniões, participação em assuntos da casa, ou mesmo expressar o que pensavamos, pois era quase sempre recebido de forma desgradável.
Como isso me afeta hoje em dia - realização
Eu aprendi que isso influenciou minha vida, e inconscientemente eu criei alguns hábitos prejudiciais. Por exemplo, que filhos não discordam da mãe, não desenvolvi um senso crítico, e não aprendi a discordar, ou respeitar quando outros discordam de mim. Além de tudo isso, sinto que sou muito controladora. Não só com meus filhos, mas com a vida. Quando tenho que aguardar por um período incerto, para algo acontecer, por exemplo uma mudança, ou decidir para onde se mudar, fico extremamente ansiosa. Me sinto fora do controle e isso me frustra demais! Hoje em dia percebo que tenho muita dificuldade de discordar, receber críticas, ou ouvir pontos de vistas, pois não pratiquei. Essas caraterísticas podem ser peculiar a minha pessoa, mas talvez tenham ficado mais intensos devido à falta de prática e ensino na minha infância e adolescência.
Saber que tenho essas dificuldade, e entender o porquê me ajudou a refletir sobre a educação que estou dando para meus filhos. Por mais que eu tente com muita intenção evitar a educação da minha mãe, às vezes me vejo agindo como ela. Tive que aprender que é importante ouvir meus filhos, dar voz à eles também; e por quê não concordar com o ponto de vista deles? Por meio do estudo do evangelho, livros e meu esposo, entendo a importância de pensarmos diferente. É melhor aceitarmos que vamos pensar diferente um do outro, e apreciar essa diferença para o bem da família. Não precisamos pensar igual sobre tudo, para sermos uma família unida. Claro que em termos gerais do evangelho de Cristo, estamos ensinando nossos filhos a pensa como Cristo.
Ainda estou em processo de aprender a receber críticas, discordar dos outros sem ficar nervosa, e deixar meus filhos a pensarem e agirem diferente de mim. Confesso que não sei muito qual a melhor estratégia. Mas acredito que só por reconhecer essa dificuldade, e desejar melhorar, já estou progredindo.
Tento lembrar que não dar voz às pessoas é similar ao plano do inimigo, de tirar o arbítrio. E isso me ajuda a controlar esse impulso de controlar o que os outros pensam, ou controlar a vida. Para a vida acontecer, os mais variados cenários irão aparecer, e não poder fazer nada sobre isso é o desafio e beleza de se viver. Ficar totalmente à mercê das mãos do Senhor, praticar a fé, confiança de que tudo vai dar certo, ao invés de confiar no meu braço. Esse tem sido meu treino constante!